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Reportagem publicada na Folha Online em 24/05/2006

sexta-feira, 13 de março de 2009


O quadro "Raízes", da pintora mexicana Frida Kahlo, foi arrematado nesta quarta-feira por US$ 5,6 milhões em um leilão de arte latino-americana realizado pela Casa Sotheby's, em Nova York.

Foi o maior preço já pago por uma obra de arte latino-americana. O recorde anterior, de US$ 5 milhões, era de "Auto-retrato", também de Kahlo, vendida pela Sotheby's em 2000.

"Raízes", um pequeno óleo sobre metal de 35 centímetros de altura por 50 de largura, obteve exatamente US$ 5.616.000. A obra foi pintada após o segundo casamento de Frida com o muralista Diego Rivera, e simboliza, segundo o comunicado da casa de leilões, "sua unidade após anos de dor e sofrimento". No quadro Frida aparece recostada na terra. De seu peito e costas brotam plantas, cujas folhas ocupam o primeiro plano da tela.
"'Raízes' pertence ao período em que Kahlo e Diego Rivera se uniram em matrimônio, quando ela refloresceu e desenvolveu seu potencial. É o período no qual suas obras estão mais acabadas, em que seu trabalho está mais maduro", explicou Carmen Melián, diretora do departamento de arte latino-americana da Sotheby's.


"Durante a exibição que organizamos antes do leilão, pessoas interessadas vinham de lugares remotos para ver a obra, como se fosse uma peregrinação a uma espécie de altar", afirmou Melián.

O comprador de "Raízes" é um colecionador particular anônimo, que disputou a obra por telefone. A obra passou os últimos 20 anos na coleção particular de um americano, após ter pertencido à mecenas mexicana Dolores Olmedo. Em 2005, o quadro apareceu brevemente em uma exposição na Tate Modern Gallery de Londres. 


Fonte: Folha Online (24/05/2006)

Frida fala sobre As Duas Fridas

quinta-feira, 12 de março de 2009

''Origem das duas Fridas. Recordação. Devia ter 6 anos quando vivi intensamente a amizade imaginária com uma menina de minha idade. (...) Não me lembro de sua imagem, nem de sua cor. Porém sei que era alegre e ria muito. Sem sons. Era ágil e dançava como se não tivesse nenhum peso. Eu a seguia em todos os seus movimentos e contava para ela, enquanto ela dançava, meus problemas secretos. Quais? Não me lembro. Porém ela sabia, por minha voz, de todas as minhas coisas...''

Diário de Kahlo, sobre a tela As Duas Fridas

As duas Fridas (Las dos Fridas) - 1939

quarta-feira, 11 de março de 2009

O quadro revela os auto-retratos que constituem o centro da obra da pintora e discute, acima de tudo, a questão da identidade. Nele, as duas Fridas se encontram sentadas de mãos dadas; uma delas veste uma indumentária tipicamente mexicana, a outra usa um vestido branco, de estilo vitoriano. As suas mãos se tocam, mas a verdadeira conexão entre ambas é a artéria que as une, saindo de um coração exposto, mas inteiro, da Frida mexicana e correndo em direção ao coração partido da européia. Uma artéria desce do coração da Frida vestida de branco e seu sangue goteja na roupa. O conjunto mostra claramente as duas sociedades distintas. É necessário levar em conta que o México 'autêntico' está representado como a fonte da vida, enquanto que ao seu lado, em oposição, encontra-se uma Europa puritana que se esvai em sangue. O quadro representa uma metáfora das entrelaçadas histórias de Frida Kahlo, do México e do mundo desenvolvido. A sexualidade da Frida mexicana se encontra bem enfatizada pelas suas pernas posicionadas mais abertas.